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Key findings
  • Vários Moçambicanos (47%) dizem que o seu governo tem um desempenho "razoavelmente bom" ou "muito bom" na garantia que as pessoas comuns beneficiam da exploração dos recursos naturais do país, embora uma minoria substancial (37%) discorde.
  • As avaliações do desempenho do governo sobre este assunto são menos favoráveis entre os cidadãos pobres, com pouca escolaridade e os cidadãos mais velhos, assim como entre aqueles que consideram estar pior que outros Moçambicanos e aqueles que detectam elevados níveis de corrupção no governo.
  • Inquiridos sobre quem beneficia mais da riqueza dos recursos, os Moçambicanos citam com maior frequência o partido político governante (37%) e as empresas que exploram os recursos (17%). Cerca de um em cada cinco dizem que os maiores beneficiários são "todos os Moçambicanos em geral" (14%) ou as comunidades próximas dos locais dos recursos naturais (6%).
  • Uma pluralidade de Moçambicanos (45%) dizem que as famílias nunca deveriam ser deslocalizadas para dar lugar à exploração de recursos naturais, mesmo sendo benéfico para a economia. Três em cada 10 (31%) não se oporiam a essa deslocalização.

Assolado pelas dramáticas implicações de 15 anos de guerra civil, corrupção disseminada e desastres naturais, o desenvolvimento social e económico de Moçambique há muito que se tem arrastado atrás de muitos dos seus países vizinhos. Embora a nação tenha atingido um significativo crescimento económico desde o final da sua guerra civil em 1992, o desenvolvimento de infra-estruturas permanece baixo e a pobreza elevada – indicadores que muitos analistas atribuem a culpa ao fraco desempenho do governo e à corrupção (Guardian, 2013; Harrison, 1999). Após de dependência da ajuda externa, os investimentos em larga escala em carvão, “areias pesadas”, (depósitos de minério), e em gás natural na última década acalentaram grandes esperanças de ganhos económicos (Ross, 2014; Hanlon, 2010). Ainda assim, quase metade da população – e em algumas províncias muito mais – ainda vivem na pobreza, e a desigualdade económica aumentou (Banco Mundial, 2016). Para muitos, o influxo de investimento no sector mineiro não se traduziu em melhores condições de vida mas sim na deslocalização das comunidades locais (Mail e Guardian, 2014).

Este boletim utiliza os dados dos inquéritos do Afrobarómetro para explorar as percepções e atitudes públicas relativas à partilha das receitas derivadas dos recursos naturais de Moçambique. Pouco menos de metade dos Moçambicanos dizem que o Governo está a ter um bom desempenho para assegurar que os cidadãos normais beneficiam da exploração dos recursos naturais, embora as opiniões tenham grandes diferenças entre províncias. Os inquiridos pobres, sem educação formal ou que se acham em piores condições que os outros Moçambicanos estão menos satisfeitos com o desempenho do governo na garantia de uma partilha equitativa.

O partido governante as empresas de mineração são vistas com maior frequência como as maiores beneficiárias da riqueza dos recursos, e uma proporção substancial dos Moçambicanos vocalizam oposição à deslocalização de famílias para dar lugar à exploração de recursos naturais.

Andreas Kopf

Andreas Kopf is a recent PhD graduate of the School of Social Sciences, University of the South Pacific, Fiji.

Thomas Isbell

Post-doctoral research fellow and research assistant at Afrobarometer