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Key findings
  • Mais de metade (53%) dos angolanos dizem confiar nos líderes religiosos "razoavelmente" ou "muito," seguidos pelos militares (43%) e autoridades tradicionais (42%). Menos de quatro em cada 10 inquiridos manifestam confiança nos tribunais (38%), polícia nacional (37%), Presidente da República (37%), e outras instituições
  • A confiança popular nos líderes religiosos, militares, e autoridades tradicionais é geralmente mais forte entre os inquiridos rurais, mais velhos, mais pobres, e menos instruídos – tratam-se de seguimentos da população que podem revelar dificuldade de acesso a informações simples e claras sobre a pandemia COVID-19.
  • A província de Luanda, que concentra cerca de um terço da população angolana e mais de dois terços dos casos positivos da COVID-19 até ao presente momento, deve merecer preocupação redobrada, porquanto regista os níveis mais baixos de confiança popular nos líderes religiosos, nas autoridades tradicionais e nas forças armadas angolanas.

Enquanto Angola continua em “situação de calamidade pública” para limitar a propagação do coronavírus, a informação credível continua a ser um instrumento essencial na luta pela proteção do país. Apesar das medidas preventivas tomadas com a devida antecedência e a manutenção das restrições nas viagens, aglomerações de pessoas, manutenção da cerca sanitária à cidade de Luanda – epicentro da pandemia em Angola, o número de casos confirmados subiu para mais de 8.300, com mais de 250 mortes (Organização Mundial de Saúde, 2020; Ministério da Saúde, 2020; O País, 2020).

Num estudo de opinião pública divulgado em abril, revelava que a maioria dos inquiridos apoiava o primeiro estado de emergência do país (27 de março a 10 de abril) bem como a possibilidade da sua prorrogação. Por outro lado, a maioria dos inquiridos declararam acompanhar com muita atenção as informações sobre o COVID-19, apesar de terem a percepção de que a maioria dos cidadãos do país não encaram os riscos da doença com a seriedade devida (Boio, Pacatolo, & Mbangula, 2020).

Uma estratégia de sensibilização da comunidade para combater eficazmente a propagação do COVID-19 exige olhar para os aliados do passado nas campanhas de vacinação contra a poliomielite, bem como para as respostas que outros países estão a dar para lidar com a pandemia (veja-se o exemplo do Gana em Sanny & Asiamah, 2020)

O primeiro inquérito do Afrobarometer em Angola, realizado entre novembro e dezembro de 2019, mostra que os cidadãos confiam mais nos líderes religiosos, autoridades tradicionais e forças armadas do que noutras instituições e funcionários chave. Esta confiança pode ser um trunfo estratégico para sensibilizar os cidadãos para a aderirem massivamente às medidas de prevenção do COVID-19, sejam as individuais, sejam as comunitárias.

David Boio

David is the co-national investigator in Angola

Carlos Pacatolo

Carlos is the national investigator for Angola