- As opiniões dos Guineenses estão divididas quanto à representação dos seus interesses na tomada de decisões em nível regional e continental: Apenas 40% afirmam que a União Africana tem em conta as necessidades do seu país, e uma proporção ainda menor (36%) considera que o mesmo acontece com a CEDEAO.
- A maior parte dos cidadãos defende um reforço da participação dos países africanos nas decisões de organizações internacionais como as Nações Unidas, com cerca de sete em cada 10 (69%) a apoiar maior influência africana.
- A maioria (57%) dos cidadãos preferem facilitar o comércio internacional, enquanto 37% defendem a limitação do comércio para proteger os produtores nacionais.
- Se o governo quisesse facilitar o comércio com outros países, sete em cada 10 entrevistados (70%) preferem o comércio livre com todos os países do mundo, enquanto uma minoria opta por privilegiar países africanos (15%) ou da África Ocidental (5%).
- Apenas 27% dos cidadãos afirmam ter ouvido falar da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
- A maioria dos Guineenses vê com bons olhos a influência econômica e política da China (60%), de Portugal (58%), da Rússia (55%) e da União Europeia (56%) em seu país. Menos de metade faz avaliações positivas da influência da União Africana (49%), da CEDEAO (48%), da Índia (46%) e dos Estados Unidos (42%).
- Questionados sobre quem mais ajudou o país durante a pandemia de COVID-19, os inquiridos citaram com maior frequência a Europa (21%) e a China (21%).
- Entre os cidadãos que estão familiarizados com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a maioria (58%) defende que a Guiné-Bissau adote uma posição neutra.

A Guiné-Bissau tem uma longa história de apoio à cooperação regional e integração africana, refletida no seu envolvimento com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e com a União Africana. O país tem buscado a cooperação regional como um instrumento para impulsionar o comércio, reforçar a segurança e fomentar o desenvolvimento económico (Comissão da CEDEAO, 2024).
Na prática, contudo, a integração da Guiné-Bissau na economia regional e global permanece limitada. A economia do país continua fortemente dependente da exportação de castanha de caju como principal produto de exportação. Este padrão, associado à reduzida capacidade industrial e ao limitado capital produtivo, restringe a capacidade do país de beneficiar plenamente das oportunidades proporcionadas pelos acordos comerciais regionais e globais (Lopes, 2019; Banco Mundial, 2025; Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, 2025).
No plano da política externa, a Guiné-Bissau procura reforçar a sua inserção regional e diversificar as suas parcerias internacionais. A participação do país na CEDEAO e o compromisso com a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) refletem esta estratégia de integração económica e política no continente africana. Paralelamente, o país mantém relações de cooperação com diversos parceiros bilaterais e multilaterais. A China tem reforçado a sua presença através do financiamento de infraestruturas e projetos de desenvolvimento, enquanto os Estados Unidos concentram o seu apoio em áreas como a governação, a segurança e o fortalecimento institucional. A União Europeia continua a ser um dos principais parceiros de desenvolvimento da Guiné Bissau, apoiando setores como a governação, a agricultura, as pescas e o reforço das instituições públicas. Instituições multilaterais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e as agências das Nações Unidas desempenham igualmente um papel importante no financiamento do desenvolvimento e no apoio às reformas económicas e institucionais (Banco Mundial, 2025).
A adesão da Guiné-Bissau à ZCLCA reforça o compromisso do país com a integração económica continental. Embora o acordo ofereça oportunidades para expandir o comércio intra-africano e promover a diversificação económica, os seus benefícios dependerão da implementação de reformas estruturais que reforcem a competitividade da economia nacional. Ao mesmo tempo, a forte dependência do financiamento externo e de um número reduzido de produtos de exportação continua a aumentar a vulnerabilidade da economia a choques externos e a limitar as perspetivas de crescimento sustentável (Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, 2025).
Os resultados do mais recente inquérito do Afrobarometer mostram que os Guineenses têm uma visão positiva do envolvimento internacional do país, embora as opiniões estejam divididas sobre se a CEDEAO e a União Africana representam bem os seus interesses. A maioria defende maior influência dos países africanos nos organismos internacionais de tomada de decisão, como as Nações Unidas.
A maioria dos Guineenses mostra-se favoráveis ao comércio internacional livre e, caso o governo facilite o comércio com outros países, também prefere relações comerciais abertas com todos os países do mundo, em vez de restringi-las apenas a África. Contudo, o conhecimento público sobre a ZCLCA permanece baixo.
Em geral, os cidadãos avaliam de forma positiva a influência econômica e política da China, de Portugal, da Rússia e da União Europeia, no país.
Entre os que conhecem o conflito Rússia–Ucrânia, a maioria prefere que a Guiné-Bissau mantenha uma posição neutra.
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