- Os Guineenses estão divididos quanto à questão da livre circulação de pessoas e bens na África Ocidental: 56% dizem que os cidadãos da África Ocidental devem ser livres de atravessar as fronteiras para trabalhar e viver, enquanto 42% acreditam que o governo deve restringir a circulação de pessoas e bens.
- Apenas 27% dos dizem ter ouvido falar da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
- Sete em cada dez cidadãos (71%) dos inquiridos afirma que, na prática, atravessar as fronteiras internacionais na África Ocidental é “difícil” ou “muito difícil.” Apenas 18% pensam que é fácil.
- Os Guineenses avaliam maioritariamente de forma positiva o impacto dos imigrantes na economia, 54% consideram positivo contra 28% negativo, numa proporção de cerca de 2 para 1.
- Oito em cada 10 cidadãos (82%) não manifestam reservas quanto ao facto de viverem ao lado de imigrantes ou trabalhadores estrangeiros.
- Do mesmo modo, 81% manifestam atitudes tolerantes em relação aos refugiados.
- A maioria apoiaria a manutenção ou o aumento dos níveis atuais de imigração, com quase dois terços (65%) favoráveis à entrada de trabalhadores estrangeiros e uma maioria (52%) em relação aos refugiados.
- Uma clara maioria (77%) dos Guineenses já considerou deixar o país em algum momento, incluindo 49% que afirmam ter pensado nisso "muito.”
- Entre os grupos que são particularmente susceptíveis de ter considerado a possibilidade de sair do país estão os residentes urbanos (82%), os mais escolarizados (85%-88%), os jovens (81%) e as pessoas que estão desempregadas (84%) ou têm empregos a tempo parcial (86%).
- Entre as pessoas que consideraram a possibilidade de sair do país, as razões mais frequentemente citadas são de ordem económica: encontrar oportunidades de trabalho (40%) e fugir as dificuldades económicas (32%).
- De longe, o destino mais popular entre os potenciais imigrantes é a Europa (75%).

A migração constitui um fenómeno estrutural e persistente na Guiné-Bissau, estreitamente ligado à instabilidade política, à fragilidade económica e à escassez de oportunidades. Nos últimos anos, fatores como o desemprego, a informalidade económica e a limitada provisão de serviços básicos têm reforçado a mobilidade como estratégia de sobrevivência e melhoria das condições de vida (Banco Mundial, 2025; Migrants & Refugees Section, 2022).
Neste contexto, a migração na Guiné-Bissau deve ser compreendida não apenas como um processo de emigração, mas também no quadro mais amplo das dinâmicas de mobilidade regional e das relações internacionais. O país insere-se em espaços de integração como a África Ocidental, onde a livre circulação de pessoas é promovida, ainda que com desafios na sua implementação prática (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, 2025; Organização Internacional para as Migrações, 2022). Ao mesmo tempo, a Guiné Bissau é também um país de acolhimento, recebendo migrantes provenientes de países vizinhos, o que contribui para a diversidade social e económica, mas também coloca desafios em termos de integração e acesso a serviços (Banco Mundial, 2023).
Estudos recentes indicam que os fatores económicos, como o desemprego e a perceção negativa da situação económica, estão associados a uma maior probabilidade de intenções de migrar em países africanos, com variações segundo o contexto urbano e o nível de escolaridade (Hoffmann & Zens, 2024). Embora as remessas constituam uma importante fonte de rendimento para muitas famílias, a saída de jovens relativamente qualificados representa uma perda significativa de capital humano, com implicações negativas para o desenvolvimento do país (Banco Mundial, 2023).
Os principais destinos da emigração guineense incluem países da África Ocidental e da Europa, com destaque para Portugal, beneficiando de laços históricos, linguísticos e de redes migratórias já consolidadas que reduzem os custos e riscos associados à migração (Organização Internacional para as Migrações, 2022).
O inquérito da Ronda 10 do Afrobarometer procurou conhecer as perspetivas dos Guineenses sobre a migração. Uma ligeira maioria apoia a livre circulação na África Ocidental para fins de trabalho, mas a maioria afirma que, na prática, atravessar fronteiras é difícil. A maioria vê o impacto económico dos imigrantes como positivo, e as atitudes em relação a migrantes e refugiados sejam, de um modo geral, tolerantes.
Ao mesmo tempo, muitos Guineenses já ponderaram deixar o país, especialmente os residentes em áreas urbanas, os jovens e os mais escolarizados. Para aqueles que consideram emigrar, predominam razões de natureza económica, sendo a Europa o destino preferencial.