- Na Guiné-Bissau, as mulheres têm menor probabilidade de possuir ensino pós-secundário (9% vs. 13%) e têm o dobro da probabilidade de não possuir escolaridade formal (28% vs. 19%).
- Três quartos (76%) dos Guineenses afirmam que é raro ou inexistente que as famílias impeçam as meninas de frequentar a escola por priorizarem a educação dos rapazes, mas 22% dizem que isso acontece frequentemente.
- Quase metade (45%) dos cidadãos afirmam que as alunas “frequentemente” ou “sempre” enfrentam discriminação, assédio e pedidos de favores sexuais por parte dos seus professores.
- Entre os adultos em idade ativa, os homens têm mais probabilidade do que as mulheres de ter um emprego em tempo integral (17% vs. 7%) ou em tempo parcial (17% vs. 12%).
- A preferência dos empregadores por contratar homens e não é socialmente aceito que mulheres tenham empregos são mais frequentemente apontadas como as principais barreiras à entrada e progressão das mulheres no mercado de trabalho.
- Cerca de um terço (35%) dos entrevistados relatam que as mulheres são “frequentemente” ou “sempre” impedidas pelos seus maridos ou familiares de exercer emprego remunerado.
- Cerca de dois terços (67%) dos Guineenses afirmam que as mulheres devem ter a mesma oportunidade que os homens de serem eleitas para cargos públicos.
- As mulheres têm 10 pontos percentuais mais probabilidades do que os homens de apoiar a neutralidade de género na liderança política (72% vs. 62%).
- Mais da metade (55%) dos Guineenses afirmam que as mulheres “frequentemente” ou “sempre” sofrem assédio sexual em espaços públicos, como mercados, ruas e transportes públicos.
- Uma pequena maioria (53%) afirma que é provável que mulheres e meninas sejam acreditadas se denunciarem discriminação ou assédio.
- Mas uma maioria ainda maior (81%) afirma que a polícia e os tribunais devem fazer mais para proteger mulheres e meninas contra discriminação e assédio.

As mulheres representam aproximadamente metade da população mundial, mas enfrentam desigualdades persistentes que limitam o exercício pleno dos seus direitos e a sua participação equitativa no desenvolvimento social, político e económico. Essa realidade constitui uma violação dos direitos humanos fundamentais, bem como um obstáculo à consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Nações Unidas, 2015). Apesar de se terem registado importantes progressos, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a plena igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres, conforme ilustrado pelas taxas desproporcionais de pobreza entre as mulheres (ONU Mulheres, 2022).
Em Guiné-Bissau, estas desigualdades são moldadas por um contexto de instabilidade política, fragilidade institucional e elevada informalidade económica, refletindo-se em constrangimentos no acesso à educação, ao emprego formal, à inclusão financeira e ao controlo de ativos produtivos, bem como na persistência de normas socioculturais patriarcais que restringem a participação feminina nas decisões familiares e públicas (Banco Mundial, 2023a, b). A aprovação da Lei da Paridade constitui um marco importante para ampliar a representação política das mulheres, embora a sua implementação ainda enfrente desafios ligados à fraca aplicação de sanções em caso de incumprimento.
Nas eleições legislativas de 2023, as mulheres conquistaram apenas 11 dos 102 lugares no Parlamento, evidenciando uma lacuna significativa entre os compromissos legais e a prática política. Apesar de a Lei da Paridade de género exigir que 36% dos lugares sejam ocupados por mulheres, este objetivo continua por cumprir. Na prática, muitos partidos políticos continuam a contornar o espírito da lei ao colocar mulheres em posições nas listas eleitorais com pouca ou nenhuma probabilidade real de serem elegidas, limitando assim a sua representação efetiva no Parlamento (Comissão Nacional de Eleições, 2023).
Os dados do Afrobarometer, Ronda 10 (2025) indicam que a maioria dos cidadãos apoia a igualdade entre homens e mulheres no acesso ao emprego remunerado e na participação política. No entanto, os resultados revelam desafios persistentes relacionados com a segurança e a proteção das mulheres. Uma grande parte da população afirma que as mulheres frequentemente sofrem assédio sexual em espaços públicos, como mercados, ruas e transportes. E uma grande maioria acredita que a polícia e os tribunais devem intensificar a proteção de mulheres e meninas.