- Em Julho-Agosto de 2022, um em cada quatro Cabo-verdianos (25%) afirmou que um membro do seu agregado familiar ou familiar tinha adoecido ou testado positivo para COVID-19, enquanto uma proporção semelhante (27%) referiu que alguém em sua casa tinha perdido o emprego, o negócio ou a principal fonte de rendimento devido à pandemia.
- Os residentes urbanos apresentaram maior probabilidade de relatar doença (27% vs. 20%) e perda de rendimento (30% vs. 21%) em comparação com os residentes rurais.
- Os cidadãos com baixos rendimentos apresentaram maior probabilidade de reportar perda de rendimentos do que os cidadãos com maior poder de compra, enquanto os relatos de doença ou teste positivo foram mais comuns entre os inquiridos com maior poder de compra.
- Nove em cada 10 Cabo-verdianos (91%) afirmaram ter sido vacinados contra a COVID-19.
- Quase dois terços (64%) afirmaram confiar “muito” (37%) ou “um pouco” (27%) no governo para garantir a segurança das vacinas contra a COVID-19.
- Os níveis de confiança estavam ligados ao comportamento de vacinação: Entre aqueles que confiam "muito" no governo, 97% referiram ter recebido a vacina.
- Quase nove em cada 10 Cabo-verdianos (86%) disseram que o governo geriu a resposta à pandemia “razoavelmente bem” ou “muito bem.”
- A maioria também se mostrou satisfeita com os esforços do governo para minimizar as interrupções na educação das crianças (71%), para garantir que as instalações de saúde dispunham de recursos adequados (71%) e para prestar assistência de emergência às famílias vulneráveis (66%).
- Quase quatro em cada 10 inquiridos (38%) afirmaram que as suas famílias receberam ajuda governamental, incluindo 57% dos que vivem em situação de pobreza extrema. Uma pequena maioria (54%) afirmou que o auxílio foi distribuído de forma justa, embora 43% discordassem.
- Mais de metade (52%) dos Cabo-verdianos afirmou que “muitos” (33%) ou “alguns” (19%) dos recursos alocados à resposta à pandemia foram perdidos devido à corrupção.
- Uma grande maioria afirmou que um governo que responde a uma emergência de saúde pública está justificado em adiar uma eleição (70%) e em utilizar a polícia ou as forças armadas para fazer cumprir as medidas de saúde pública (84%). Mas apenas 36% aprovariam a censura dos media.
- Quase três quartos (73%) dos Cabo-verdianos afirmaram acreditar que o seu governo não está preparado para lidar com futuras emergências de saúde pública.
- Metade (50%) dos cidadãos afirmou que o governo precisa de investir mais nestes preparativos, mesmo que isso signifique menos recursos disponíveis para outros serviços de saúde, mas, 40% discordaram.

Cabo Verde reportou o seu primeiro caso de COVID-19 a 20 de Março de 2020, sendo o Paciente Zero um cidadão britânico de 62 anos que tinha visitado o país. A resposta do governo foi rápida e abrangente: suspensão de voos e atracação de navios provenientes de países de alto risco, quarentenas obrigatórias para quem regressava ao país, recolher obrigatório e restrições de circulação, além do encerramento de espaços públicos (Governo de Cabo Verde, 2020; OCDE, 2025). Cabo Verde esteve também entre os poucos países de África a ultrapassar a meta de vacinação da Organização Mundial da Saúde de 70% da população, administrando 859.940 doses a 72,6% da sua população (Banco Mundial, 2022; Doshi et al., 2024; TradingEconomics, 2023).
Apesar destas medidas de contenção, a pandemia impactou fortemente o sector da saúde em Cabo Verde e teve efeitos em cadeia nos sectores social e económico. Em Dezembro de 2025, o governo havia registrado 64.550 casos de COVID-19 e 417 mortes (Organização Mundial de Saúde, 2025).
A economia de Cabo Verde contraiu 20,8% em 2020, principalmente devido ao prolongamento do confinamento do setor turístico, a principal fonte de receitas do país (OCDE, 2025). A taxa de desemprego aumentou 3,2%, afetando gravemente as famílias, sendo os jovens e as mulheres os mais impactados (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, 2022).
Este relatório aborda um módulo especial de inquérito incluído na 9ª Ronda do Afrobarometer, realizada em Julho-Agosto de 2022, que explorou as experiências e percepções relacionadas com a pandemia entre os cidadãos de Cabo Verde.
Os resultados confirmam o impacto substancial da pandemia nos Cabo-verdianos: Cerca de um em cada quatro reportou um caso de COVID-19 em casa, e o mesmo número perdeu uma importante fonte de rendimento.
No entanto, a grande maioria dos cidadãos aprovou a resposta do governo à pandemia, incluindo a satisfação com a prestação de assistência às famílias vulneráveis, embora a maioria tenha notado algum nível de corrupção na gestão dos fundos destinados ao combate à COVID-19.
Apesar das avaliações favoráveis ao desempenho do governo, a maioria dos Cabo verdianos considerava que o governo não estava preparado para lidar com futuras emergências de saúde pública.
Related content