AD74: Bons vizinhos? Africanos expressam elevados níveis de tolerância para muitos, mas não para todos

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Tolerance in Africa
Dispatches
2016
74
Boniface Dulani, Gift Sambo, e Kim Yi Dionne

Os académicos têm argumentado que a tolerância é "a endorfina do corpo político democrático," essencial para o livre intercâmbio político e cultural (Gibson & Gouws, 2005, p. 6). Seligson e Morino-Morales (2010, p. 37) reflectem esta opinião quando afirmam que uma democracia sem tolerância pelos membros de outros grupos é "fatalmente imperfeita.”

Nesta edição, apresentamos novos dados sobre a tolerância em África provenientes da 6º Ronda de inquéritos do Afrobarómetro, em 33 países, durante 2014/2015. Embora África seja frequentemente descrita como um continente de divisão e intolerância étnica e religiosa, as conclusões mostram elevados graus de aceitação para com pessoas de diferentes grupos étnicos, pessoas de diferentes religiões, imigrantes e pessoas portadores de VIH/SIDA (PVVS). A proximidade e o contacto frequente com diferentes tipos de pessoas parecem aumentar a tolerância, conforme sugerido pelos níveis mais elevados de tolerância em países mais diversificados e uma forte correlação entre aceitação de PVVS e as taxas nacionais de prevalência de VIH/SIDA.

A principal excepção à elevada tolerância de África é a sua atitude fortemente negativa em relação aos homossexuais. No entanto, apesar do discurso sobre a homossexualidade ter frequentemente pintado África como uma caricatura da homofobia, os dados revelam que esta intolerância não é universal: Pelo menos metade dos cidadãos de quatro países Africanos dizem que não se importariam ou, gostariam de ter vizinhos homossexuais.

Um índice de tolerância baseado em cinco indicadores de tolerância menciona a educação, proximidade e exposição aos meios de comunicação social como os principais catalisadores do aumento da tolerância no continente Africano. Isto é consistente com a literatura sobre socialização que sugere que as atitudes e os valores não são imutáveis. Eles podem ser aprendidos e desaprendidos.

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